Olhos, olfato e paladar ficam mal acostumados na Ligúria. Nesse pedaço da costa italiana espremido entre as montanhas estão os cinco vilarejos conhecidos como Cinque Terre. Durante séculos, o acesso difícil ao lugar, feito somente a pé ou de barco, isolou os moradores do resto do país. E é à moda antiga, andando, a melhor maneira de se conhecer a região, e não são poucos os turistas andarilhos que se aventuram pelas trilhas que ligam Rioomaggiore, Manarola, Corniglia, Vernazza e Monterosso al Mare. Ainda batendo perna, é possível passar para uma versão mais glamourosa da riviera italiana, Portifino, que faz lembrar em muitos aspectos a vizinha francesa. O famoso balneário, que já hospedou papas e príncipes continua sendo o endereço predileto de milionários e estrelas de cinema.
A região empresta aos turistas os presentes que a natureza lhe deu. O único trabalho por aqui é respirar fundo para sentir os aromas das vinhas, flores do campo e ervas. Abrir bem os olhos para encontrar a linha que divide o verde das montanhas do azul do mediterrâneo. E manter o paladar aguçado para se entregar às massas ao pesto e ao vinho branco. Depois do deleite, é hora de deixar a indolência de lado e colocar literalmente o pé na bota.
Para a trilha, carrega-se apenas o necessário para passar o dia. As bagagens vão direto para o quarto do hotel, provavelmente um castelo do século 12 ou um antigo monastério beneditino. O único sacrifício nessa empreitada é acordar cedo e deixar a confortável cama king size para trás, mas a preguiça logo desaparece com a vista panorâmica da janela e as guloseimas do café-da-manhã. A preocupação agora é despertar os sentidos para gravar na memória as lembranças da riviera italiana.
Mar à vista
A van parte logo de manhã, de Lucca, na Toscana, com os turistas devidamente equipados para a primeira caminhada em Cinque Terre. O grupo tem gente de 30 a 70 anos, e reúne 19 pessoas, na maioria americanos, mais dois casais australianos e dois canadenses. Dana, uma das guias que vai monitorar a equipe, alerta para os cuidados básicos como protetor solar, sapatos apropriados para trilha, capa de chuva e agasalho para eventuais mudanças de clima. Cindy, a outra guia, reconhece entre as pessoas do grupo uma família de Ohio com quem tinha feito outra caminhada na Itália: no verão passado, Rose, Joseph e filho John percorreram a pé a costa amalfitana, que fica ao sul de Cinque Terre. |
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Gostaram tanto do que viram que resolveram repetir a dose, dessa vez na Ligúria. Sentadas no fundo da van, três amigas, duas da Carolina do Norte e uma da Carolina do Sul, bombardeiam Cindy com perguntas sobre as lojas e compras locais. Sally, Patricia e Jenkins, hoje com idades em torno de 40 anos, se conhecem desde pequenas, já dividiram namorados na adolescência e foram madrinhas de casamento umas das outras. Uma vez por ano, deixam os maridos em casa e saem juntas para viajar.
A primeira parada é Montenero, nos arredores de Riomaggiore. A van é deixada para sempre e começam os primeiros passos morro acima, feitos em degraus de pedra contornados por margaridas e flores do campo. Do topo avista-se os vilarejos Riomaggiore, Corniglia e Vernazza. É lindo, mas é só o começo, e é melhor economizar elogios e fôlego, porque ainda tem muita coisa bonita para ver e muitos morros para subir e descer.
Durante a caminhada, o grupo se divide espontaneamente em dois blocos. Na frente vão os mais dispostos e com mais preparo físico; a outra metade segue tranqüila admirando os vinhedos, pinheiros, oliveiras e umas poucas casinhas de vinicultores espalhadas pela montanha. O símbolo de Cinque Terre são os terraços de pedra construídos na montanha. Há quase dez séculos, os habitantes da região quebram as rochas, erguem os terraços com pedaços grandes e usam os menores, misturados a folhas de pinheiro e mato, para fertilizar a terra. Nesses andares talhados na montanha são cultivadas as uvas que produzem os tradicionais vinhos brancos da região.

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Viemos aqui para beber ou para caminhar?
A descida entre os vinhedos até o Riomaggiore desperta a sede e a vontade de provar o vinho produzido ali. Na adega de um premiado produtor local, Walter De Battè, cercado de tonéis de madeira de mais de cem anos, o grupo pára para uma aula rápida de enologia e degustação. |
"O Cinque Terre é um vinho branco seco, com buquê delicado. Por ser um vinho da costa, é acompanhamento perfeito para peixes e mariscos", explica.
Mas o mais disputado de todos é o Sciacchetrà, vinho branco doce feito com uvas maduras, com teor alcoólico mais alto, ideal para acompanhar a sobremesa. Um costume local é comprar uma garrafa quando as crianças nascem e só abri-la anos depois, para comemorar uma data importante. Foi isso que fez Battè, recentemente, quando o filho entrou para a universidade.
Riomaggiore impressiona logo na chegada pelo colorido das fachadas e pelas ruas estreitas, os "carruggi", corredores íngremes de escadarias de pedra que sobem entre as casas. Algumas ficam tão próximas umas das outras que parece ser possível cumprimentar o vizinho da frente estendendo a mão pela janela. Depois de um rápido passeio pela cidade, vem o tão esperado momento de saborear os peixes rigorosamente frescos, que fazem trajeto sem escala do mar à mesa. O ponto de encontro para o almoço é no porto, no restaurante Dau Cila. No menu, salada de anchovas com tomates, anchovas cozidas no limão e versão genovesa da brusqueta (pão, azeite de oliva e alho, com molho pesto). Quem não é fã de anchova torce o nariz para o cardápio, mas volta atrás imediatamente depois de prová-lo. Silvano Bonanini, o proprietário, assim como muitos comerciantes da região, só abre o restaurante no verão; no inverno, sai para pescar, sua grande paixão. Um cálice de Limontino (licor à base de limão, açúcar e álcool) e cerejas finalizam a refeição e liberam o grupo para continuar, rumo a Manarola.
Com o mar batendo fortemente contra as rochas seguimos pela Via dell'Amore, trilha de pedra batizada de "caminho dos amantes" por ser o passeio preferido dos namorados. Em Manarola, as ruas parecem ser ainda mais íngremes do que em Riomaggiore-ou será efeito do vinho? Casas e penhascos altíssimos disputam o terreno e a vista para o mar. No alto da colina, uma igreja do século 14 oferece momento de paz e contemplação. Lá embaixo, perto do porto espremido entre dois enormes rochedos, o vai-e-vem é constante. São famílias italianas em férias, grupos escolares, adolescentes e turistas estrangeiros.
Agora é hora de pegar o trem e aproveitar o fim da tarde no balneário de Sestri Levante. A viagem beira a costa e leva cerca de 40 minutos. As outras três cidades, Monterosso, Vernazza e Corniglia, ficam para o dia seguinte.
Quem conta um conto...
O cenário em Sestri Levante é outro. É uma cidade estudantil, repleta de jovens, com menos turistas e mais trânsito. Lambretas, bicicletas e os charmosos "ciquecento" (os famosos carrinhos Fiat criados nos anos 50, perfeitos para transitar pelas ruas estreitíssimas das cidades da Itália) são meios de transporte populares. O Corso Colombo, de acesso somente para pedestres, reúne restaurantes, boutiques, minimercados com bancas de frutas expostas na calçada e confeitarias, como a Pasticceria Rossignotti. Há cem anos no mesmo endereço, as especialidades da casa são o pan dolce genovese e o torrone rossignotti, "vendido até na Argentina e no Chile", segundo a proprietária. |
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Um dos visitantes ilustres da cidade era o escritor dinamarquês de histórias infantis Hans Christian Andersen. Contam que muitas de suas fábulas foram escritas durante temporadas no balneário. Em sua homenagem, uma das baías da cidade foi batizada de baía das fábulas. É lá que algumas famílias estendem suas toalhas na areia para aproveitar os últimos raios de sol do dia. Há quem prefira trocar o bronze por um drinque ou um sorvete no café do Brasil, em frente a baía do Tigullio.
O jantar é um bom pretexto para mergulhar na tradicional culinária da Ligúria. Receitas simples, transmitidas oralmente há centena de anos, exploram o sabor e o aroma dos ingredientes da região. Azeite de oliva, manjericão, alho, castanhas e peixes do mediterrâneo resultam em pratos únicos nas mãos dos cozinheiros locais. Enrico Boitano, dono do restaurante Buon Geppin, herdou o gosto pela culinária da mãe, mamma Dina, também proprietária de um restaurante na região. Uma das delícias que preparou foi o gattapin, uma espécie de pastel. A massa leva vinho branco e é recheada de verduras, funghi, pinoli, azeite e alho. Polvo prensado com rúcula e atum fresco cozido com tomate, e anchovas com ricota também fazem parte do banquete. Entre um prato e outro, parada para uma autêntica aula de pesto. Em um recipiente de mármore são triturados num pilão o sal marinho, dois dentes grandes de alho e manjericão. Em seguida são adicionados os pinoli, parmesão e 1 litro de azeite de oliva. O molho começa a perfumar o ambiente, aguçar o apetite e é servido na seqüência com uma massa chamada trofie.
No alto da colina, um castelo do século 12 transformado no Grand Hotel Dei Castelli espera o grupo para o merecido descanso. Das janelas do quarto as luzes do porto ganham ares de cartão-postal. Não é difícil imaginar Andersen escrevendo uma fábula ali.

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Buongiorno!
No dia seguinte, às 8 horas da manhã, todos estão a postos para deixar Sestri Levante de trem e seguir até Monterosso al Mare. É de lá que começam as trilhas até Vernazza e Corniglia.
Monterosso é a cidade mais a oeste das cinco, a mais antiga, a maior e talvez a menos típica de todas. Hotéis, lojas de lembranças e bares para turistas roubaram o perfil rústico original, característico dos vilarejos de pescadores. |
O tempo de visita é curto, mas vale a pena dar uma volta pelo centro histórico. Em frente à praça principal está o Moretto, restaurante mais antigo da cidade, famoso por suas massas ao pesto genovês. A sede de consumo pode ser saciada na Fabrica d'Arte Monterosso. Cerâmicas regionais são especialidade da loja e boas lembranças para levar, desde que não façam volume ou peso. As trilhas nos esperam e as comprinhas terão de ser levadas nas costas.
O ponto de referência do caminho entre as montanhas que vão de Monterosso a Vernazza é o Hotel Porto Roca,que parece ficar pendurado no penhasco, quase caindo no mar. É dali que sai a trilha, que vai exigir dos andarilhos uma dose extra de fôlego. Dezenas de degraus de pedras ladeados por vinhedos e oliveiras e coloridos por flores selvagens transformam-se no alto da colina em caminhos estreitos, às vezes escorregadios, mas não perigosos. O idioma mais ouvido sem dúvida é o alemão, seguido do inglês. Italiano se ouve também, mas sempre com sotaques de outras partes do país. O uniforme mais visto por essas alturas é a bota, mochila e a calça ou bermuda cáqui, mas a moda por aqui é democrática. Tem de tudo, até casal vestido com traje passeio, ele de calça de preguinhas e camisa, e ela de vestido, sandália e bolsa. Talvez levem algumas bolhas de recordação e demorem mais tempo para chegar, mas isso prova que a trilha é para todos.
Tem também gente que vem com o cachorro, tem mulheres grávidas, jovens casais com bebê nas costas e crianças. Os moradores locais são avis rara. Algumas vezes se vê um senhor cuidando do pomar ou dos vinhedos que beiram a trilha, mas os habitantes de Cinque Terre não são de muita conversa. Essa característica, nada italiana, é creditada ao isolamento a que população local ficou confinada durante muitos séculos, graças à difícil situação geográfica da região. " Os primeiros trilhos de trem só foram trazidos para cá no final do século 19. Antes, o único acesso era por barco ou a pé. Os moradores ficavam tão isolados que acabavam se casando entre eles. Ainda hoje o acesso a Cinque Terre é restrito, e se acontecer uma emergência é preciso ir de helicóptero para La Spezia, onde fica o hospital mais próximo. O número de trens diminui bastante durante o inverno, e os barcos só fazem a travessia no verão. Um dos grandes problemas atualmente é que jovens estão abandonando a cidade, e tradições seculares, como a construção e manutenção dos terraços de pedra, podem acabar abandonadas", diz Frederica, guia nascida e criada em Cinque Terre.
Mas parece que até os mais antigos habitantes desse lugar estão se acostumando com o trânsito de turistas nas trilhas que beiram seus pomares. Entre uma curva e outra, sentado embaixo de uma árvore no meio do bosque, está um senhor de idade vestindo camisa xadrez, macacão e boina. Com uma cesta no colo, recheada de comes e bebes, ele informa com o mais amável dos sorrisos que a água custa 7 euros. |
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Nota-se que os preços também sobem com a altura: lá em baixo, a mesma garrafa custa cerca de 1 euro. Mas provavelmente dá para negociar. No quesito gentileza, os moradores de Cinque Terre não ficam nada a dever à tradição de simpatia italiana. Angelo Celsi, 63 anos, outro morador das montanhas, abandonou por alguns segundos o seu pomar, posou timidamente para uma foto e depois agradeceu ao grupo oferecendo uma rosa vermelha do seu jardim.
Do alto da montanha avista-se a baía de Vernazza. Alguns passos a frente, degraus de pedra morro abaixo anunciam que a cidade está próxima. Joelhos desacostumados com esse ritmo podem gemer um pouco. Nada que dure muito tempo, a chegada à Vernazza vai distrair os músculos cansados, encher os olhos e acalmar o estômago. Uma praça em frente ao porto abriga os restaurantes. No Vulnetia é possível experimentar uma pizza de frutos do mar ou um tegame vernazza, prato que leva anchovas, batatas e tomate. Rollando Tullio recebe seus clientes com o melhor dos sorrisos italianos, principalmente quando descobre que a equipe é brasileira. A convite de uma ex-funcionária pernambucana, passou recentemente 40 dias entre o Rio de Janeiro e a Bahia, e diz amar o Brasil.
A próxima trilha que liga Vernazza a Corniglia é menos íngreme do que a anterior, mas também pede um pouco de entusiasmo muscular. O trajeto leva cerca de uma hora e meia, e os primeiros 30 minutos são de pura subida.
Uma parte do grupo resolve cabular algumas milhas e trocar trilhas por trilhos. O percurso de trem entre Vernazza e Corniglia vai beirando o mar e leva cinco minutos. O mais demorado é esperar a chegada do transporte, já que pontualidade não é especialidade local.
Corniglia é o único dos cinco vilarejos que fica um pouco distante do mar, encarapitada em um promontório. Da estação de trem até a cidade existem duas opções. Uma é pela estrada, tomando um ônibus, e a outra a pé, subindo os 365 degraus-um para cada dia do ano- que ligam a cidade ao mar. A igreja de San Pietro, construída no século 14 em estilo gótico, é visita obrigatória. Seguindo pela Via Fieschi chega-se ao ponto mais alto da cidade, que tem um grande terraço com vista para o mar. É hora de esquecer tudo e olhar de frente a costa de Cinque Terre. Melhor ainda se for tomando um cálice de Sciacchetrà.
A noite vem chegando, e a volta para o hotel em Sestri levante é feita de trem.

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Do lanche ao luxo
No dia seguinte, atravessando de barco o golfo do Tigullio em direção ao norte, deixa-se Cinque Terre e Sestri Levante para trás. No trajeto, uma turma animada de golfinhos cerca o barco e faz acrobacias coreografadas. Entende-se por que a baía de Portofino é conhecida como a baía dos golfinhos. Depois das boas vindas aquáticas o barco ancora em Recco, balneário conhecido por sua especialidade gastronômica, a focaccia al fromaggio, massa crocante com queijo. De lá, começa o próximo sobe-e-desce pelas montanhas. Cerca de uma hora depois chega-se à multicolorida e charmosa Camogli, que fica no golfo Paradiso. Casas pintadas de rosa, azul, ocre e amarelo ficam espalhadas colina acima. |
Cercadas de verde por todos os lados tornam-se ponto de referência para os pescadores em dias de mar bravio. Muitas casas têm um pequeno oratório cavado na parede com a imagem da Virgem Maria, protetor dos pescadores. Corações de prata e inscrições - " Eu dou meu coração para a Virgem porque ela salvou a minha vida " - mostram o agradecimento à santa. A técnica francesa trompe l'oeil ("engana o olho") nas fachadas brinca com nossos sentidos. Dá para jurar que o beiral de algumas janelas é verdadeiro, e muitas vezes é ilusão, pura pintura.
Uma das festas tradicionais da cidade é a Sagra del Pesce. A bênção dos peixes é comemorada no segundo domingo do mês de maio. No dia da festa, numa frigideira de ferro de 4 metros de diâmetro, sardinhas são fritas e distribuídas entre os presentes.
Seguindo pela via Garibaldi, repleta de bares e restaurantes, começa uma trilha cercada de castanheiras e oliveiras que sobe em direção ao vilarejo de San Rocco. Lá no alto, um piquenique sob a sombra dos pinheiros espera o grupo. Tortas, pizzas e focaccia de queijo foram preparadas por Dino e sua mulher, Ana, da padaria Maccarini, ali há mais de 50 anos. A especialidade da casa são as gallete del marinaio . Esse "biscoito do marinheiro" substitui o pão durante os longos meses no mar. " A receita é antiga, da época dos barcos a vela, e leva apenas farinha de trigo, água e sal. É boa para o estômago, ajuda a curar enjôos em alto-mar" , conta Ana. Para provar que o prazo de validade é mesmo grande, eles guardam como lembrança um exemplar de 1996, enviado por um cliente. As tais gallete são tão célebres que estão no museu naval da Ligúria.
Do lanche passa-se ao luxo. Portofino é pequena e poderosa. Entre os bares e restaurantes ficam lojas Gucci, Chanel, Enrico Coveri, Celine, Dolce & Gabanna. No cais, barcos pesqueiros convivem com iates particulares e veleiros elegantes. No alto de um rochedo fica o famoso Hotel Splendido, que não deixa nada a dever ao nome. Originalmente um monastério beneditino, foi transformado em hotel no começo do século passado. Ponto de encontro de estrelas de cinema, milionários, políticos e personalidades, teve na lista de hóspedes nomes como Elizabeth Taylor, Richard Burton, Frank Sinatra, Winston Churchill e Catherine Deneuve -e era um verdadeiro manancial de notícias para as revistas de celebridades da época. |
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A vista do quarto é hipnotizante. Além da piscina e do imenso jardim florido, coberto por palmeiras e pinheiros, outra programação disputada é a massagem. Feita pelas experientes mãos da massagista Rose, surpreende até quem está habituado a apertões.
De Portofino partem barcos de turistas para várias cidades vizinhas. O grupo saiu de lá em dois botes a motor, em direção a San Fruttuoso. Essa pequena aldeia tem apenas seis casas, um monastério beneditino construído no século 11 e a Torre Dei Doria, imponente construção erguida 500 anos mais tarde. De lá alcançam-se uma das mais bonitas, silenciosas e perfumadas trilhas da viagem, que atravessa o Parque Natural de Portofino e leva até Santa Margherita.
Assim como as outras cidades da costa, em Santa Margherita os pintores não ficam a ver navios. As fachadas são coloridas de rosa, laranja, salmão pistache, ocre, azul e amarelo. O melhor programa é se deixar levar pelos cafés e confeitarias que convidam a um dolce far niente. Sentado de frente ao porto, é hora de pensar quando será possível voltar a ver tudo aquilo.

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